história dos perfumesOs perfumes são uma mistura harmônica de substância odoríferas naturais e sintéticas que produzem sensações agradáveis ao olfato.

As fragrâncias, além de serem um distintivo social relacionado historicamente com o status, nos permitem mostrar partes da nossa personalidade e sentimentos. Sim, os perfumes são uma forma de expressão assim como a nossa roupa ou maquiagem.

O antigo Egito é, sum dúvida, o berço dos perfumes, ja que os antigos sacerdotes egípcios usavam os aromas para homenagear e cultuar seus deuses.Os egípcios também foram pioneiros em escolher o momento adequado para utilizar os diferentes tipos de fragrâncias de acordo com cada hora do dia.

Flores aromáticas maceradas com água de chuva de manhã, mirra à tarde e misturas de madeiras e óleos para os rituais noturnos.

Os egípcios criaram uma infinidade de aromas a partir de misturas de especiarias e flores como a íris, o heliotropo, o açafrão e a canela, assim como óleos de mirra e cedro.

As classes altas do antigo Egito souberam apreciar de forma muito especial os maravilhosos aromas que se desprendiam dos templos e dos próprios sacerdotes. O resultado? Os ricos começaram a imitar esses costumes inicialmente sagrados e passaram a se perfumar e a usar defumadores com delicados eflúvios em suas casas.

perfumes no antigo egitoA perfumaria também teve um momento estelar na Grécia antiga, onde durante os banquetes gotas de perfumes eram lançadas sobre os comensais. Um costume muito engraçado, se pensamos bem, era o de perfumar as asas de pombas brancas com substâncias aromáticas e soltá-las para que elas pudessem liberar esses aromas sobre os participantes dos banquetes.

Nessa de perfumar tudo, os gregos chegaram ao ponto de perfumar as bebidas; uma mistura de mirra, mel e flores era macerada em vinho. Essa bebida, conhecida como mirrina, era servida no que seria o equivalente ao nosso coquetel de hoje.

Mas não pensemos que todos os gregos tinham grande amor pelos perfumes. Sócrates, o pai da filosofia moderna, não apreciava as fragrâncias e costumava dizer que os homens não deveriam usar perfumes porque ao estar embriago pelo próprio cheiro seria difícil “distinguir um homem livre de um escravo”.

Diógenes, famoso por viver dentro de um barril, esfregava óleos aromáticos nos pés todos os dias. A quem lhe perguntava a razão de fazer isso, ele respondia: “se eu passar este óleo nos meus pés, o cheiro chega ao meu nariz; se eu passasse na minha cabeça, apenas os pássaros poderiam sentir o cheiro”.

perfumes na antiga grécia históriaDepois da Grécia, quem entra no mapa da perfumaria é Roma. Nos tempos de Júlio César, os melhores perfumes chegaram ao império, e assim os romanos puderam conhecer os prazeres sensuais dos aromas.

Algumas histórias populares chegaram, inclusive, a relatar que Nero, em apenas um ano, queimou mais incenso do que a Arábia podia produzir naqueles tempos. Claro que essa história tem um toque de exagero, mas é um bom reflexo da relação que os imperadores romanos estabeleceram com as fragrâncias.

perfumaria romaNão apenas os imperadores se deixaram seduzir pelos perfumes. Senadores, gladiadores, cidadãos e os próprios escravos de Roma se transformaram em grandes consumidores de fragrâncias, óleos e incensos.

Novos hábitos foram adquiridos, como o de queimar resinas aromáticas nos salões, nas festas e nas casas termais com o mesmo entusiasmo que perfumavam camas, roupas e a si mesmos.

A demanda de perfumes e produtos aromáticos chegou a ser tão grande, que importantes grêmios e associações de perfumistas e comerciantes começaram a ganhar força. Em função do crescimento da demanda, o volume da oferta também cresceu exponencialmente. Os preços baixaram, e os perfumes se popularizaram cada vez mais.

Com a queda do Império Romano e a chegada dos povos bárbaros, o uso dos perfumes foi praticamente criminalizado, e completamente excluído da rotina de qualquer “pessoa decente”. Para os bárbaros, líquidos com um cheiro tão bom desconcentravam os homens e os induziam ao pecado e à celebração dos sentidos.

A partir dessa época, o único perfume permitido era o emitido pelos incensos, e de forma estritamente restrita aos templos religiosos, que podiam purificar o potencial pecaminoso dos aromas.

Porém, essa cultura antiperfumista não floresceu em toda a Europa. Pequenas cidades-Estado italianas já haviam adquirido o hábito de importar matérias-primas de lugares tão longínquos como a China ou a Índia.

Em 1130, Veneza obteve a permissão do Rei de Jerusalém para que os seus mercantes pudessem se estabelecer na Palestina, conseguindo que a península italiana virasse um grande ponto de difusão dos aromas ancestrais do velho Oriente.

perfumaria árabeNessa mesma época, os árabes se estabeleceram na Península Ibérica, levando com eles a tradição das águas e dos banhos diários. Os povos muçulmanos eram grandes e antigos cultuadores dos perfumes e das águas perfumadas, como a água de rosas, uma instituição cultural até hoje viva no mundo islâmico.

A partir da Espanha, a arte da perfumaria chegou à França. Com extrema rapidez e no próprio Século XII, o Reinado de Henrique II testemunhou a criação do grêmio dos fabricantes de luvas perfumadas.

Esses mesmos fabricantes não demoraram a comercializar perfumes, e podem ser considerados um dos fundadores das matrizes da perfumaria moderna.

Hoje a perfumaria é uma indústria que movimenta bilhões de dólares todos os anos, e os perfumes estão presentes em praticamente todas as sociedades do nosso mundo cada vez mais globalizado.

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